Os mistérios das perdas

Literalmente e definitivamente eu não sei lidar com mortes. Não sei lidar com esse sentimento estranho de saber que alguém está próximo, está naquele local que a gente está acostumado a saber e, de repente, já não está mais. Perdas que envolvem pessoas são ainda mais complicadas pra eu aceitar.  Já passei por várias. Foram familiares, amigos, conhecidos de trabalho e até mesmo aqueles que não fazem parte diretamente da minha vida, mas que mesmo assim partem, deixam uma dor, um incômodo, uma sensação de inquietude, uma dúvida sobre a passagem.

Hoje cedo um amigo me avisou via Skype, que o dono de uma das empresas cliente do escritório onde trabalhei até mês passado havia morrido em um acidente de avião, na manhã de hoje, em Recife. Na hora veio um flashback de todas as vezes que eu tinha ouvido falar nele, nas suas empresas, na maneira como conduzia seus negócios, no seu pai com quem tive alguns contatos e de como a família estaria naquele momento.

Passei o dia pensando. Não dá para entender. Uma morte trágica. Uma ruptura abrupta e inesperada dos laços materiais, espirituais e da família. Sempre que meu cérebro tinha alguns segundos livres do trabalho, ele processava a informação sem sucesso. Acontecia meio que um Error 404. Não conseguia carregar aquela página que a mente nos condiciona a aceitar alguns fatos.

Associei o fato ao acidente com  que aconteceu hoje cedo na saída do meu bairro e ao motoqueiro que também perdeu a vida na Av. Benjamim Brasil na tarde de segunda-feira. Nestes dois eu passei próximo aos locais pouco depois dos fatos e procurei não ver a cena. Tem coisas que é melhor a gente nem ver mesmo. Se imaginar já é complicado, imagine ver os detalhes. É, meu amigos, a morte ou a simples sensação de ver alguém ferido, me deixam extremamente incomodado. Não sei lidar com isso. Não sei se um dia conseguirei.

O que sei é que a vida é um mistério, onde a gente vai tentando decifrar um pouco a cada dia e muitas vezes não nos contentamos com as respostas que vamos obtendo. Não nos contentamos com as peças que são encaixadas nem com as peças que perdemos no meio do caminho. Vida na cabeça da gente é para ser celebrada. Festejada. Assim como a diretora da atual empresa que trabalho, que reuniu os funcionários na tarde de hoje para comemorar seu aniversário.

A vida é mesmo uma estação. Enquanto uns chegam, celebram o momento da chegada, outras se despedem e partem para uma nova viagem. E para quem fica resta apenas a certeza e a espera das próximas partidas, das próximas chegadas e de que não adianta tentar entender, nem buscar uma forma de lidar melhor com as perdas. Elas irão acontecer inevitavelmente.

Hoje eu queria ter escrito um post mais alegre, “pra cima” apesar do cansaço e do ritmo de trabalho que aumenta a cada dia, mas infelizmente não deu. Fica para uma próxima.

É isso.

 

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1º de Julho

Primeiro de Julho. Primeiro dia do início do último semestre do ano. Julho lembra férias, que lembra música, que lembra viagens, alegria e tantas coisas tão bacanas que somente quem é agraciado com este período de total descanso é que sabe do que estou falando.

Quando criança minhas férias eram motivo de alegria total. Eu ficava contando os dias para viajar pro interior da minha mãe. Lá encontraria minha avó, alguns tios e tias e minhas primas, que tinha (e ainda tenho) como irmãs. Subir em árvores, comer fruta direto do “pé”, andar pelo sítio, ir comer doce de leite na venda da tia-avó, correr na pracinha da igreja matriz, visitar os amigos para poder brincar na rua. Eram momentos de liberdade plena, onde os noticiários, a pressão profissional e as grandes tragédias naturais pouco importavam. O apogeu da peraltice infantil.

Quando adolescente as férias já não tinham tanto sentido. O dinheiro para as viagens estavam escassos e a única vantagem era poder conferir todos os programas de televisão que eu mais gostava.   No máximo uma ida ao cinema durante os  trinta dias de “folga” da escola. Livros eram totalmente esquecidos por um mês inteiro.

Já na fase adulta as férias passaram a ter apenas o sentido utópico. Além de caírem sempre em períodos tidos como “nada a ver” no calendário, ainda havia um agravante: A falta total de dinheiro. Eram alguns dias, muitas vezes, querendo que eles não acabassem para não voltar a rotina chata e estressante do mundo empresarial. Dias de descanso, que mesmo com algumas intervenções da empresa, pelo menos eu podia colocar o papo com alguns amigos em dia.

As últimas férias que aproveitei de verdade foi em 2009 quando reservei quinze dias para ir á Recife, encontrar minhas primas, ir à boate que mais gosto no nordeste inteiro, e depois, curtir cinco dias maravilhosos em Maceió. Terra encantadora e por qual eu sou apaixonado. Terra de amigos que me fazem bem. Terra onde as belezas naturais retratam nada mais que a beleza de seu povo. Foram dias especiais. Únicos. Dias que não sairão da minha mente nunca mais.

E agora estamos em julho novamente, e eu, iniciando em uma nova empresa, nem sei quando poderei curtir esse “bem  precioso” novamente. Porém, enquanto este dia não chega vou me abastecendo com as boas lembranças, de um tempo que vivi e com a boa energia dos dias em que estou vivendo e com as expectativas das férias que um dia virão…

Portanto, quem está de férias..Só um recado:

APROVEITEM POR MIM, ok !!!!

Jul/ 2009 - Praia do Gunga (AL) - "E ainda teve boatos que eu estava na pior..."