Eu já cometi as mesmas bobagens…

fortaleza

Crédito da Foto: @goleada_info / Twitter

Não lembro bem o ano, mas isso pouco importa diante do que aconteceu. Sei que faz muito tempo.  Eu costumava debochar muito quando o time adversário, ao que eu torcia, perdia. Eu me animava só com a possibilidade de enviar aquelas piadas infinitas que todo mundo repassa quando isso acontece.

O problema é que numa dessas vezes, uma amiga estava visivelmente chateada por o seu time de coração ter perdido mais um jogo e eu fui nas suas redes sociais tripudiar de sua derrota. Ela, com todo direito, não gostou nem um pouco e tratou de deixar isso claro nos comentários.

Percebi, tempos depois, que não conseguia mais visualizar suas atualizações, até que veio a constatação de que eu havia sido bloqueado. Perdi meu tempo, gastei energia com uma bobagem e ainda perdi uma amiga, uma amiga que eu adorava. Ela era divertida (como ainda é), estava em todas as festas que eu estava, era sempre uma alegria imensa quando nos encontrávamos. Pior foi perceber em um destes momentos de festa que aquele meu comentário (a meu ver tão “sadio” e parte do “espírito” esportivo) havia criado um abismo gigantesco na nossa relação. Foi terrível receber aquele olhar de indiferença de uma pessoa que eu tanto gostava. Lembro que, muito tempo depois, resolvi pedir desculpas, mas já era tarde demais.

Daí fiquei pensando: Meu time não estava jogando, eu não ganhei jogo algum então porque minha felicidade naquele momento? Será que o motivo de minha felicidade era essa superioridade invisível que eu sentia por ver alguém sentir-se derrotado?  Eu fiz inúmeros questionamentos e percebi que para ser feliz eu não precisava debochar da tristeza, tão pouco, invalidar o momento de angústia de alguém. Eu não precisava desvalorizar algo para sentir o valor do que eu gosto, torço ou aprecio.

Foi uma lição imensa. Desde esse episódio eu parei de brincar com meus amigos quando seus times perdiam ou estavam em situação desconfortáveis na tabela de seus campeonatos. Às vezes, até vem aquela vontade de fazer uma piada vez ou outra, mas aí o alerta sonoro e estridente da sensatez me faz questionar se  realmente vale a pena. Opto por não fazer.

A lição foi em vários campos: Na música, política, religião, dentre outros. Eu passei a olhar apenas para aquilo que eu tinha interesse real. A partir disso tudo, usando um termo que li no Facebook de um amiga, eu também não lembro do dia que eu tenha perdido meu tempo de ter ido a qualquer rede social ou ferramenta de comunicação praticar tal ação. Acho que entrei na cota do bom senso definitivamente,  no que diz respeito a isso.

Fala-se muito em espírito esportivo, mas pouco se pratica. Porque não há espirito esportivo maior que assumir uma derrota com dignidade, encarar com orgulho aquilo que uma torcida unida é capaz de fazer e respeitar seus adversários acima de tudo. Em campeonatos não há muitas opções além de ganhar ou perder. Não se escolhe o lado que se vai estar ao final dele. Mas, independentemente de qualquer coisa, devemos ter bom senso para saber comemorar ou saber lidar com a derrota.  Acho que aprendi a lição. Pelo menos nesse ponto acho que deixei de ser um idiota.

É isso! ST!