Um ‘São João’ em que o santo fecharia os olhos de vergonha

O colorido das bandeiras não foi suficiente pra espantar o cinza que tomou conta da festa.

Estou muito incomodado com algo. Sabe quando você precisa colocar retirar um pensamento, mesmo que à força, de sua cabeça. Fazer um desabafo. Sei que isso não vai mudar o mundo, nem fisicamente e muito sua atmosfera gélida que toma conta de sua população. Porém, desabafar vai fazer com que eu fique um pouco mais leve, livre desta carga pesada de lembranças de uma cena que vi sábado passado durante o evento intitulado ‘São João do Maracanaú’ o qual tive o prazer da companhia de três amigos bem especiais.

Nem mesmo a companhia dos amigos foi suficiente para me fazer pensar aonde o ser humano deseja chegar em sua odisséia pelo planeta chamado vida. Vou tentar explicar de maneira resumida. Vamos aos fatos. Sábado eu poderia ter ido encontrar um apessoa bem especial, ou ter curtido o show da Roberta Sá no parque do Cocó, o show do É o Tchan ou ainda aos festejos juninos (ou seriam julhinos) de meu município: Maranaú. Escolhi a opção número três.   Por ser perto de casa, pela conveniência…tudo favorecia.

Tudo “favorecia”. Isso mesmo entre aspas, pois desde a chegada com um mar de gente no parque de eventos às andanças em busca de um local tranqüilo, tudo foi tenso e complicado. Eu até tentei brincar, ver as coisas de um ângulo melhor, de um prisma diferente, mas de verdade? Dentro de mim uma revolta explodia. Tinha tudo pra ser perfeito, mas as pessoas preferem cair no abismo da imbecilidade e além de estragar seus momentos ainda levam pânico, medo e frustração ao mundo alheio.

Sinceramente, nunca vi tanta briga em um único lugar. Apesar de gratuito a festa oferecia uma estrutura muito bacana. Parque, barracas, uma vila, uma réplica da estátua de Padre Cícero, locais para comer, o quadrilhódromo, dentre outras atrações. Tinha tudo  pra ser perfeito, mas não foi.

Procurávamos um local e lá estava uma briga. O ser humano esqueceu que existem coisas mais importantes que mostrar sua superioridade agressiva. E olhe que a agressão não era apenas um privilégio da ala masculina não. Presenciei, depois dos meus amigos terem ido embora e eu ter ficado um pouco mais na festa (por conta própria), uma briga feia de duas mulheres. O pior foi ver as pessoas em volta, torcendo manifestando uma ira feia de se ver. Uma ira repulsiva. Talvez o motivo fosse ciúmes. Não dava pra saber. A situação era confusa. Intrigante e, o pior, deprimente.

Do lado de fora um verdadeiro campo de guerra. Eu torcia pra ver um taxi livre. Queria ir embora daquele local e esquecer aqueles momentos de conflitos. Porém o pior estava por vir.   No canto da parede, próximo ao muro do quadrilhódromo, um rapaz era espancado. Uma multidão acompanhava com gritos exaltados.  O rapaz apanhou sozinho e eu nem precisava saber o motivo para pensar que aquilo era um castigo sem tamanho. Se fosse injustamente, então.  Automaticamente lembrei o assalto e da surra que levei, gratuitamente, de seis pessoas em maio de 2000. Em frações de segundo veio tudo à tona.

Depois o pensamento voltou para aquele rapaz e nada do táxi. Quando a multidão afastou-se com a  chegada dos seguranças, a cena foi ainda mais forte. O rapaz levantou, não sei com que forças, e andou cambaleante em busca de algo que nem ele mesmo sabia o que era. Na sua cabeça um corte. Um corte horrível. Algo saía de sua cabeça. Alguém gritava: “Gente…É um ser humano”, outra mulher emendou: “É, mas você não pode fazer nada”. Cada uma falou uma verdade. Diante da perversidade humana, da ignorância opcional de algumas pessoas só nos resta a indignação e a impotência.

A cena foi forte…

Essa cena não sai da minha cabeça. Desculpem pela riqueza de alguns detalhes, mas precisava externar isso de uma vez só. É algo que não quero ver nunca mais.

De repente vejo um táxi e corro em busca dele. Consigo pegá-lo e dizer o destino. Consigo chegar em casa e, apesar da lembranças, alguns minutos depois dormir um pouco. Depois de acordar, o pensamento volta à tona. Espero que o rapaz tenha sobrevivido. Espero que o ser humano aprenda divertir-se sem precisar usar de violência pra mostrar que é o “melhor”, o mais forte, que “manda no pedaço”. Ninguém precisa mandar em “pedaço’ algum. Todo mundo pode ter o seu espaço e respeitar o do outro. Entendam espaço como orientação sexual, a mulher ou o homem alheio, a bebida, o dinheiro, os bens, o momento do outro.

Não dá mais para agüentar este tipo de gente.

Sinceramente não dá !!!

É uma pena que bons momentos tenham sido suprimidos com as várias violências na festa. Ponto negativo para uma parte do público, vários pontos negativos, também, para a segurança do evento. Que deixou muito, mas muito a  desejar.

Fica a lição: O ser humano, que se julga um ser super-hiper-ultra-mega-maxi-advanced-power evoluído frente às demais espécies, ainda não aprendeu algo básico que é conviver pacificamente com outro ser da sua própria espécie.

Vai passar…

Primeiro Aniversário do Blog

A gente nunca sabe o que dizer depois da música “parabéns pra você”. Todo mundo sempre pra fazer o famoso discurso, mas parece que as palavras faltam. Sem contar com a língua que trava e a boca que fica seca. Ou seja, para um filme de terror, algumas palavras depois da famosa canção popular de comemoração falta muito pouco.

Mas e para escrever o discurso de 1º ano? O que deve ser dito?  Valeu à pena ter completado este ciclo?

Na verdade há muito para agradecer.  E , sim. Valeu muito à pena. Para quem achava que o blog não duraria um ano, visto a dificuldades do blogueiro em construir  ciclos duradouros, meio que enganou-se. O blog resistiu a pressão, mudança profissional, crises de amizade, financeira, dúvidas, anseios pessoais, carência. Muita coisa.  Talvez tenha sido este seu alicerce: As dúvidas.  Este espaço serviu como terapia. Foi meu psicólogo em momentos delicados.

Mas nem só de momentos delicados vive o “O Que Deve Ser Dito”. Ele acampanhou momentos leves, divertidos, cômicos e emocionantes que apenas os bons amigos conseguem acompanhar. Quem disse, também, que este “filho” não tenha se tornado o meu melhor amigo. Era aqui, ou melhor, é aqui que venho expor. É neste espaço cibernético que venho  compartilhar. É nesta rede que posso deitar empurrar o pé contra a parede e aproveitar este balanço gostoso.

Um balanço cheio de números e estatísticas. Aliás, balanço, palavra que remete à minha profissão, é a tradução dos dados numéricos de alguma movimentação. E aqui o negócio  foi movimentado. Foram 414 posts, textos, artigos ou o que vocês acharam mais adequado para chamar. Isso dá mais de uma atualização por dia, mesmo que alguns  dias eu tenha optado pela vida off-line. Essa conta é resultado da média. Média, que segundo o Michaelis quer dizer, Coisa ou quantidade que representa o meio entre muitas coisas.

Sendo assim, o resultado do blog é altamente positivo. Pois, se o meio entre muitas coisas pode ser chamado de equilíbrio, eu conseguir alcançá-lo.

E por ultimo num discurso longo, para quem não sabia o que dizer, quero agradecer aos leitores: Amigos, conhecidos, colegas de mídias sociais, familiares ou anônimos que chegam aqui  das mais variadas formas. Seja procurando receita de brigadeiro ou “alguma coisa pra ocupar a mente”. É o Google surpreendendo nos resultados das buscas. Voltando à sessão agradecimento, é importante dizer que sem o pessoal que passou por aqui e deixou sua contribuição, seja em forma de e-mail ou comentário, o “O Que Deve Ser Dito” não seria um dos bens mais preciosos que eu já conquistei na vida.

Obrigado pelos cliques, pela consideração, por agüentar tantas coisas, pelas mudanças no layout, pelos erros de português, pelos os views (mais de 22.000), por entenderem que nem todo dia é dia de compartilhar…Enfim, obrigado de verdade por TUDO.

Para quem não sabia o que iria escrever, até que saiu muita coisa.

E enquanto eu escrevia a vela mágica acendeu novamente.

Acho que não vou apagá-la. Vou deixá-la aí até o próximo aniversário. Quem concorda?