Vontades de ter ainda mais vontades

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Sabe quando a vontade de escrever volta?  Na verdade acho que algumas vontades estão voltando. E, quando isso acontece o melhor é dar espaço para que tudo saia do plano vontade e vire concretização. Mais ou menos assim: Vontade de escrever vire texto. Textão. Vontade de aprender inglês vire frases construídas ou cantadas de forma que o Tio Sam entenda e o Joel Santana não. Vontade de fazer um exercício físico vire quilos a menos. Um monte de vontades, todas juntas e misturadas.

Vontade. “A principal das potências da alma”, como bem define o Michaelis. Mas, e quando sua alma perde algumas vontades? Eu estava perdendo várias delas, dia após dia. Estava entregando-me ao mais alto nível de letargia. Confesso que tive medo de entrar num lugar escuro e que pra sair seria preciso ajuda profissional. Não foi preciso, graças a Deus e a minha sempre surpreendente força de vontade. E novamente a danadinha de sete letras aparece novamente.

Foram dias difíceis. Dias em que pedi demissão da empresa, fui assaltado, fui testemunha de um atropelamento ao qual até hoje não sei se a vítima veio a falecer, contas foram acumuladas e onde me perdi das pessoas que amo e de fazer coisas que sempre me deram prazer. Depressão? Não sei se chega a tanto, mas tive medo.

Daí vem a vida com suas cápsulas mágicas, chamadas de surpresas, e começa a reorganizar tudo.  Aos poucos, lentamente. Num outro estágio, super avançado e intensivo, a vida te dá idéias para vencer a crise profissional, apresenta novas pessoas, resgata a confiança em si, recebe bons feedbacks de terceiros, mostra que nossas escolhas no passado podiam ter sido diferente, mas que as que fazemos hoje são as que mais importam e ordena que você acorde de vez.

E assim as vontades ditam o caminho que devo seguir e o que devo deixar pra trás. As vontades, na verdade as novas vontades, também revelam algo que a gente precisa entender de uma vez por todas: Que a vida é uma fatura aberta de cartão de crédito, com data de vencimento implícita, mas que não deixa de cobrar juros bem altos para quem não paga suas faturas.

Então, Ok. Fatura zerada. Começando do zero.

Uma imagem, um Título

Férias, féria e férias. Tudo bem que só da faculdade, mas é muito bom a gente saber que vai desconectar de algo, talvez não da forma como deveria ter sido, mas pelo menos encerrar o semestre da melhor forma possível. Poderia ter doado mais de mim aos estudos. Foi um semestre que aprendi menos que deveria. Aliás, um semestre intenso, onde pude experimentar terríveis doses de apatia profissional, de inquietações, exaustão e instabilidades emocionais. Talvez sejam estas as explicações mais cabíveis. Um semestre tenso.

Fiz duas escolhas erradas. Uma por total identificação com uma história de vida, e a outra com a  amarga ilusão de uma mudança ou rápida capitalização. Da identificação com a história de vida de uma profissional surgiu, pelo menos, uma parceria para uma amiga. É a velha máxima de que não passamos pela vida das pessoas em vão. Da “ilusão” restaram mais mágoas, rancores e (sai pra lá) decepções e a certeza que alguns ciclos, depois de encerrados, jamais devem ser retomados. O ponto de partida deve ser esquecido. O foco no novo é que deve prevalecer.

Mas, agora ao que tudo indica, depois de uma terceira tentativa, parece que a máquina vai girar de vez. Essa máquina que não tem um manual definido, essa máquina cheia de peças, engrenagens e funções que cada ser humano, mecânico autodidata, vai ajustando para chegar ao melhor funcionamento. A máquina que tem um nome “engraçado”: Vida.   Essa vida que vai ensinando, e aos poucos, transformando. Mesmo que essa transformação chegue nos quarenta e cinco do segundo tempo. Ou em Junho de 2009, que poderia ser os primeiros minutos do segundo tempo. Melhor assim.

Quanto ao meu profissional, estou mais tranqüilo. Mais leve, mais terno, como disse uma professora hoje que eu aprendi a  gostar e respeitar por demais. Adorei ouvir seu “diagnóstico”. Senti uma leveza ainda maior.

As amizades estão sendo restauradas, aos pouquinhos, mas estão sendo. E isso é o que importa.  Em casa tudo está perfeito, como sempre esteve: A harmonia voltou a reinar. Só o coração que insiste em não querer pulsar forte por alguém. Putz, como é estranho ver todo mundo namorando e você “chupando dedo”.

– “Universo, eu estou reclamando (sim) do senhor. Cadê as conspirações para a minha casa afetiva? Eu “leio, leio, leio” e isso nunca acontece”? Que fique registrado aqui o meu protesto.

No mais eu espero que essa energia boa, continue. Que ela se espalhe, contaminando tudo e a todos a minha volta. No que depender de mim, vou fazer o possível pra que isso aconteça. Até postar, hoje eu tive vontade. Naturalmente, assim como gosto que as coisas acontençam.  E isso só aconteceu porque a chama a apatia deu lugar à exaltação, a excitação e ao envolvimento.

Envolver-se com novos desafios e acreditar que pode realizá-los, nada mais é que o primeiro passo rumo à satisfação. Pelo menos é nisso que estou acreditando. É nisso que PRECISO continuar acreditando. É isso…Por enquanto vou aproveitar as férias da faculdades pra trabalhar um pouco mais e colocar em prática alguns projetos bem pessoais que….

Ah, deixa pra lá…Isso é motivo para um próximo post.