Vontades de ter ainda mais vontades

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Sabe quando a vontade de escrever volta?  Na verdade acho que algumas vontades estão voltando. E, quando isso acontece o melhor é dar espaço para que tudo saia do plano vontade e vire concretização. Mais ou menos assim: Vontade de escrever vire texto. Textão. Vontade de aprender inglês vire frases construídas ou cantadas de forma que o Tio Sam entenda e o Joel Santana não. Vontade de fazer um exercício físico vire quilos a menos. Um monte de vontades, todas juntas e misturadas.

Vontade. “A principal das potências da alma”, como bem define o Michaelis. Mas, e quando sua alma perde algumas vontades? Eu estava perdendo várias delas, dia após dia. Estava entregando-me ao mais alto nível de letargia. Confesso que tive medo de entrar num lugar escuro e que pra sair seria preciso ajuda profissional. Não foi preciso, graças a Deus e a minha sempre surpreendente força de vontade. E novamente a danadinha de sete letras aparece novamente.

Foram dias difíceis. Dias em que pedi demissão da empresa, fui assaltado, fui testemunha de um atropelamento ao qual até hoje não sei se a vítima veio a falecer, contas foram acumuladas e onde me perdi das pessoas que amo e de fazer coisas que sempre me deram prazer. Depressão? Não sei se chega a tanto, mas tive medo.

Daí vem a vida com suas cápsulas mágicas, chamadas de surpresas, e começa a reorganizar tudo.  Aos poucos, lentamente. Num outro estágio, super avançado e intensivo, a vida te dá idéias para vencer a crise profissional, apresenta novas pessoas, resgata a confiança em si, recebe bons feedbacks de terceiros, mostra que nossas escolhas no passado podiam ter sido diferente, mas que as que fazemos hoje são as que mais importam e ordena que você acorde de vez.

E assim as vontades ditam o caminho que devo seguir e o que devo deixar pra trás. As vontades, na verdade as novas vontades, também revelam algo que a gente precisa entender de uma vez por todas: Que a vida é uma fatura aberta de cartão de crédito, com data de vencimento implícita, mas que não deixa de cobrar juros bem altos para quem não paga suas faturas.

Então, Ok. Fatura zerada. Começando do zero.

1º de Julho

Primeiro de Julho. Primeiro dia do início do último semestre do ano. Julho lembra férias, que lembra música, que lembra viagens, alegria e tantas coisas tão bacanas que somente quem é agraciado com este período de total descanso é que sabe do que estou falando.

Quando criança minhas férias eram motivo de alegria total. Eu ficava contando os dias para viajar pro interior da minha mãe. Lá encontraria minha avó, alguns tios e tias e minhas primas, que tinha (e ainda tenho) como irmãs. Subir em árvores, comer fruta direto do “pé”, andar pelo sítio, ir comer doce de leite na venda da tia-avó, correr na pracinha da igreja matriz, visitar os amigos para poder brincar na rua. Eram momentos de liberdade plena, onde os noticiários, a pressão profissional e as grandes tragédias naturais pouco importavam. O apogeu da peraltice infantil.

Quando adolescente as férias já não tinham tanto sentido. O dinheiro para as viagens estavam escassos e a única vantagem era poder conferir todos os programas de televisão que eu mais gostava.   No máximo uma ida ao cinema durante os  trinta dias de “folga” da escola. Livros eram totalmente esquecidos por um mês inteiro.

Já na fase adulta as férias passaram a ter apenas o sentido utópico. Além de caírem sempre em períodos tidos como “nada a ver” no calendário, ainda havia um agravante: A falta total de dinheiro. Eram alguns dias, muitas vezes, querendo que eles não acabassem para não voltar a rotina chata e estressante do mundo empresarial. Dias de descanso, que mesmo com algumas intervenções da empresa, pelo menos eu podia colocar o papo com alguns amigos em dia.

As últimas férias que aproveitei de verdade foi em 2009 quando reservei quinze dias para ir á Recife, encontrar minhas primas, ir à boate que mais gosto no nordeste inteiro, e depois, curtir cinco dias maravilhosos em Maceió. Terra encantadora e por qual eu sou apaixonado. Terra de amigos que me fazem bem. Terra onde as belezas naturais retratam nada mais que a beleza de seu povo. Foram dias especiais. Únicos. Dias que não sairão da minha mente nunca mais.

E agora estamos em julho novamente, e eu, iniciando em uma nova empresa, nem sei quando poderei curtir esse “bem  precioso” novamente. Porém, enquanto este dia não chega vou me abastecendo com as boas lembranças, de um tempo que vivi e com a boa energia dos dias em que estou vivendo e com as expectativas das férias que um dia virão…

Portanto, quem está de férias..Só um recado:

APROVEITEM POR MIM, ok !!!!

Jul/ 2009 - Praia do Gunga (AL) - "E ainda teve boatos que eu estava na pior..."